sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sobre Xadrez.


Onde estão:



Reis
Rainhas
Torres
Bispos
Cavalos
Peões
Deste tabuleiro?


Todas essas peças, aos poucos se re-alocam em seus respectivos quadriculados. Todos prontos, esperando pelo menor indicio de “fogo”, para se colocar em prontidão de frente para o perigo.
As cordas ainda vibram, trazendo sentimentos e sensações já sentidas por muitos hermanos. A sensação de perigo, seqüestros e as investigações ainda “andam”. Não sabiam? Pergunte ao vizinho da direita.


A Organização também se re-alocou. Com a mesma razão social? Com a mesma intenção? Porque vou dizer, se há/verá investigações? Só digo que o núcleo se movimenta e sonda a todos os investigadores (as).

Soldado, não vos entregueis a estes brutais...

Estão todos chegando ao 3° assalto, que tudo indica ser mais árduo e intricado. “Eles” sabem como agimos. Sangue que entra e sangue que sai.

Diga não a Eugenia.
Seja a favor da Resistência.
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Veja as informações em aberto.
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Leia: SI 233 * ABRIL.
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Que seja a revolução.
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Quais são seus favoritos?
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Não importa qual arquétipo vocês pertençam no Xadrez. O lado Branco não é o lado inofensivo. E o lado Negro não é maléfico. Um lado em constante evidência e outro sendo espectral. Mas qual o lado? Existe lado?

Escolha seu lado!

Torre Branca----------------------------para-----------------------Torre Negra.

Ruas de paralelepípedos, grande escadaria. Felicidade ativa?
Última vez visto, com cabelos retornando a cabeça, pelos sobre o rosto e armadilhas sendo postas.

Viva as Intervenções, Viva aos Peões.


Siga este exemplo:
Lucas ... voltar no tempo.
Viver tudo isso de novo com mais paciência, mais humildade, mais atenção aos detalhes tanto da trama quanto das pessoas, mais responsabilidade com os compromissos... e se não desse para reformar tudo, só voltar no tempo já seria incrível.
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=32656848&tid=5201319993774421283&start=1

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

ALOMORFIA, MATURAÇÃO E INCITAMENTO

Quantas vezes?
Mudanças?
Qual sentido?
Qual caminho?


Adoro ver essas cabeças trabalhando em algo que na verdade julgam conhecer. Ver esses movimentos me faz sentir em uma tertúlia.
Tantos paradigmas reunidos para um único fim. Porém, qual? Onde houve um ínicio? Bem, deixando de lado...
Lapidação. Como é maravilhoso ver um produto bruto ser transformado em algo fabuloso. Como a mudança é fabulosa! O poder de transformar é uma dádiva como também é uma obsessão.
A mudança é natural. Uma querida mãe se vai (?), um filho não encontra seu pai, outro não reconhece sua mãe, outros filhos se perdem e outros se encontram. Mesmo assim...
...Estou fascinado pelas atitudes da ORGANIZAÇÃO. Primeiro pelo seu estudo bienal. Psicometria da Dominação, algo como dominar alguém usando uma forma de analisar a mente de cada um. Segundo, pela forma que eles conseguiram tais informações. Primeiro conhecer para depois lapidar? Faz sentido. Isso me fez lembrar de um livro que li na 6ª série, "A Droga da Obediência" do Pedro Bandeira.
"! ARRE LIE O BSAUCIDOASI"
A OHP quer transformar pessoas "normais" em cidadões modelos? Só eles podem responder, porém o TNH só reforça isto!
Mas usar uma mulher como teste da lapidação e logo depois usar um homem como possível protótipo da mesma lapidação. É como ficar entre a crueldade e a curiosidade. E isto prova que haverá mais uma lapidação? As duas primeiras não tinha contatos inter-pessoais conhecidos. Mas e o próximo?
Voltando a Psicometria. No dia 15, deste mesmo mês. Muitos falaram que não houve nada na nova casa do Zé. E não houve mesmo... para os CSL's. Quer uma forma melhor de observar?
As cordas se entrelaçam para um único fim. O Império. Provas? O poder de manipular qualquer pessoa, sem que a mesma perceba.
Lembre-se
Amadores dizem:
As coincidências estão lá apenas para mostrar que na verdade não são coincidências. AQUI, COINCIDÊNCIAS NÃO EXISTEM!

Cuidado?

BEM-VINDO SEM O MEDO
INSTALE-SE COM SEU
OUÇA, MANIFESTE E SEJA


Como é fascinante a renovação!

Quem será?................

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Devaneios

Quero dizer-lhes como é bela a visão panorâmica.
Tem-se uma análise das contrariedades e das vaidades únicas e irrefutáveis, dos outros e de nós mesmos.
Sois máquinas! Sou máquina!
Mas aí a roda gira, e vemos que na verdade não sois máquinas. E nem sou máquina.
Percebes como a dualidade nos afeta? Percebes qual caminho é o certo, se é que existe um?
Correr riscos. É importante, para se chegar aonde se quer chegar. Mas que lugar é este, que nunca chega? Será uma utopia vã e ilusória, ou uma realidade interna que conflita-se com a externa?
Devaneios sempre são bons, principalmente quando se quer descarregar o que tens em mente, toda a baboseira acumulada ao longo da semana, e que de nada serve, mas que em algum lugar tem um significado, por mínimo que seja.
Já paraste para te observares? Ver como reages às situações corriqueiras?
Vou começar a fazer isto. Mudanças comportamentais são imprescindíveis, e inevitáveis.
Queres saber o que há na jaula do leão? Tente sentir. Se não conseguir sentir, entre na jaula sem medo, enfrente o leão. Descobrirá que lá habita um animal aprisionado, louco por liberdade, por rolar na terra, se sujar, brincar como uma criança sapeca.
Devaneios, devaneios, devaneios. Onde me levarão? Ou então, onde eu os levarei?
Boa pergunta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

ADG02

Oh Sun Tzu, Mestre sapientíssimo das artimanhas de guerra, quais palavras sábias tens a nos oferecer?

"Não podemos participar de alianças até estarmos a par dos objetivos dos nossos vizinhos. Não estaremos prontos a comandar um exército em marcha, a menos que estejamos familiarizados com a topografia do terreno: suas montanhas e florestas, seus perigos ocultos e precipícios, seus brejos e pântanos.
Seremos incapazes de tirar vantagem de acidentes naturais, a menos que usemos guias locais.
Na guerra, pratique a dissimulação e terá sucesso. Mova-se apenas se houver uma vantagem real a ser obtida. Concentrar ou separar suas tropas é coisa a ser decidida pelas circunstâncias. Deixe que a sua rapidez seja a do vento; sua solidez a da floresta. Ao atacar e saquear, seja como o fogo; na imobilidade, seja como uma montanha.
Deixe seus planos ficarem secretos e impenetráveis como a noite e, quando atacar, caia como um relâmpago. Quando saquear uma região, deixe o produto ser dividido entre seus soldados; quando capturar um novo território, divida-o em lotes em benefício da soldadesca.
Pondere e delibere antes de fazer um movimento. Vencerá quem tiver aprendido o artifício do desvio. Essa é a arte de manobrar.
Pois como diz o velho Livro de Administração do Exército: no campo de batalha, a palavra falada não vai muito longe; daí a instituição de gongos e tambores. Também os objetos comuns não podem ser vistos claramente; daí as bandeiras e flâmulas. Gongos e tambores, bandeiras e flâmulas são meios que permitem aos ouvidos e olhos da tropa se fixarem num determinado ponto. A tropa, assim, formando um corpo unido, impede os bravos de avançarem sozinhos ou os covardes de se retirarem sós."

Sem mais palavras, estou boquiaberto.
:0

terça-feira, 21 de agosto de 2007

BLNC1

Como previsto, grupos se formariam, extinguindo um grupo hegemônico já existente.
De um lado, OHP. De outro, PSS!.
Ah! Como é lindo ver os humanos se mexendo, essas coisinhas fofoletes desajustarem as engrenagens.
Tudo estava na mais perfeita ordem, e de repente, puf! Opz...sumiu!
Como não podia deixar de ser, estou maravilhado com o rumo das engrenagens.
Algumas são solitárias, tadinhas. Outras são formadas por máfias. E outras apenas são.
Mas as engrenagens dependem umas das outras. Ixi. E agora? Se uma girar pra um lado, e a outra girar pro outro, a máquina deixa de funcionar. OH MY GOD!
Não sois máquinas, sois humanos, imbecis!
Se me utilizo de um tom duro e firme é porque sinto vontade, e nada me impede de usar minha vontade quando eu bem entender.
Agora uma coisa me intriga. Como vai funcionar a balança nessa situação inusitada, porém expectativada?
A única pessoa que pode regular a balança sou eu, ninguém mais. Sim, egocentrismo. Megalomania.
Fiquem de olhinhos bem abertos a todos os movimentos das engrenagens. A alma do negócio é você, não se esqueça nunca disso!
Você pode tanto botar a máquina para funcionar quanto pará-la. E este parar pode ser sem querer.
Na verdade, eu estava doido pra vir aqui postar alguma coisa, mas nada de relevante acontecia.
Os torneios começaram.
Cuidem de suas cabeças pensantes, amiguinhos. Não deixe que ninguém se apodere de você.
Fuja, se for preciso, não é vergonha nenhuma. É apenas estratégia.
A balança está tentando encontrar a melhor maneira de se equilibrar, de manter a máquina funcionando. Não estou solitário nesta missão. Sei que muitos estão se mexendo para equilibrar as forças.
Vou consultar Sun Tzu e amanhã volto com novidades. Se eu não estiver no cárcere.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A Cura de Schopenhauer

Há exatamente 3 horas, terminei de ler "A Cura de Schopenhauer".
Como introdução ao pensamento de Schopenhauer é excelente, e como simples leitura, também.
A impressão que eu tive de Schopenhauer ao ler este livro, é de um sujeito extremamente amargo e amargurado, que encara a vida sempre pelo aspecto mais negativo. Ele não dança, não se dá esse direito. Ele se considerava uma espécie à parte, quase um não humano.
Por mais irônico que possa parecer, foi acometido pelo desejo mais instintivo e primitivo de todos: o sexo.
Pelo clichê, Schopenhauer é um sujeito extremamente pessimista. Eu prefiro vê-lo por outro prisma. O de que ele era um cara extremamente frágil, incapaz de lidar com outras pessoas, e por medo de se ferir, se isolou. Talvez ele tenha se isolado por se achar genial demais.
A maior parte do livro se passa numa terapia de grupo.
Philip, um dos personagens, endeusa Schopenhauer, e seu comportamento é bastante parecido com o do filósofo. Introvertido, recluso, anti-social, Philip parafraseia Schopenhauer praticamente o tempo todo. Ele diz que foi curado da compulsão sexual por Schopenhauer.
Philip vai se tornando menos deus, e mais humano (ou bípede), durante a história, daí o nome do livro.
Durante uma sessão da terapia de grupo, um dos personagens diz a Philip: "Schopenhauer te curou, agora você vai ter que se curar de Schopenhauer."
O enredo provavelmente se utiliza de vários arquétipos implicitamente, mas usa duas ou três vezes explicitamente.

A seguir, os trechos que eu considerei mais interessantes.


"Se olharmos a vida em seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d'água vista num microscópio, uma só gota cheia de protozoários. Achamos muita graça como eles se agitam e lutam tanto entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico."

"Num espaço infinito, inúmeras esferas luminosas em torno das quais rodam dezenas de outras menores, quentes no centro e cobertas com uma casca dura e fria onde uma névoa bolorenta originou a vida e os seres conhecidos. Esta é a realidade, o mundo."




"Enantiodromia é um conceito introduzido por Jung no qual a superabundância de qualquer 'força' invariavelmente produz o oposto do que é expectativado. É de certo modo equivalente ao princípio de estabilidade no mundo natural, onde qualquer extremo vem a ser incompatível com a idéia de equlíbrio, tal como esse conceito é entendido."
Fonte: Wikipedia
"Schopenhauer disse que os bípedes - termo dele - precisam se juntar em volta do fogo para se aquecer. Mas avisou do perigo de se chamuscarem por ficarem muito perto do fogo. Ele gostava dos porcos-espinhos, que se encostam para se aquecerem, mas usam os espinhos para manter uma distância. Schopenhauer valorizava muito seu isolamento, dependia apenas de si mesmo para ser feliz. Nesse ponto, não estava sozinho, outros grandes homens, como Montaigne, por exemplo, concordavam com essa idéia"

"Kierkegaard dizia que algumas pessoas tem duplo desespero, isto é, estão desesperadas, mas nem sabem. Você deve estar nesse desespero duplo. Quero dizer o seguinte: grande parte do sofrimento de uma pessoa vem por sentir desejo, realizá-lo, ter um instante de saciedade que logo se transforma em tédio e, por sua vez, é interrompido pelo surgimento de outro desejo. Schopenhauer achava que era essa a condição humana universal: desejar, saciar-se, entediar-se e desejar outra vez."

"Os grupos de terapia precisam de tempo para alcançar estabilidade e segurança. Muitas vezes, um grupo novo rejeita quem não consegue (por falta de motivação ou capacidade) se envolver, isto é, interagir com os outros e analisar essa interação. Pode haver então semanas de conflitos difíceis, com os integrantes competindo por uma posição de poder, atenção e influência, mas, quando ganham confiança, a possibilidade de cura aumenta. Scott, um colega de Julius, uma vez comparou um grupo de terapia com uma ponte construída numa batalha. Na primeira fase da construção há muitas vítimas (isto é, gente que larga o grupo), mas depois que a ponte fica pronta, conduz muitos ( as pessoas que estavam antes e todos os que chegaram depois) para um lugar melhor."

"Os escritos de Schopenhauer têm muita ligação com a psicanálise, embora ela ainda não existisse na época. Sua maior obra começa com uma crítica e um adendo a Kant, que havia revolucionado a filosofia com a conclusão de que nós fazemos parte, em vez de percebermos a realidade. Kant afirmou que todos os nossos sentidos são filtrados pelo sistema nervoso, que nos fornece um retrato do que chamamos realidade. Na verdade, essa realidade não passa de uma quimera, uma ficção que surge dos conceitos e catalogações feitos pela mente. Conceitos também são a causa e o efeito, sequência, quantidade, espaço e tempo; são construções e não entidades, isto é, coisas ou fatos que possam existir lá, na natureza.
Além disso, não podemos ver uma versão do que está lá, não temos como saber o que está realmente lá, ou seja, o que existe antes do nosso processo perceptivo e conceitual. Essa primeira entidade, que em alemão Kant chama de ding an sich (a coisa em si), está e precisa estar para sempre desconhecida por nós.

Embora Schopenhauer concorde que não podemos conhecer a coisa em si, acredita que podemos chegar mais perto dela do que acha Kant. E que Kant menosprezou uma grande fonte de informação do mundo perceptível (o mundo fenomenal): nosso próprio corpo! O corpo é um objeto material. Existe no tempo e no espaço. E nós temos um enorme e rico conhecimento do corpo que não vem através da percepção e da conceituação, mas de dentro, dos sentimentos.
Adquirimos um conhecimento através do corpo que não podemos conceituar e comunicar porque a maior parte da nossa vida interior é desconhecida para nós. A vida interior é reprimida e não pode ser conscientizada porque conhecer nossa natureza mais profunda (nossa crueldade, medo, inveja, desejo sexual, agressividade, egoísmo) seria um peso maior do que poderíamos aguentar.
O tema parece conhecido? Lembra aquela velha teoria freudiana do inconsciente, do processo primitivo, do id, repressão, auto-ilusão?
Não é essa a base da psicanálise? Lembre-se de que o principal livro de Schopenhauer foi publicado quarenta anos antes do nascimento de Freud. Em meados do século XIX, quando Freud (e Nietzsche) ainda estavam no primário, Schopenhauer era o filósofo alemão mais lido.

Como compreendemos essas forças inconscientes? Como fazemos com que elas se comuniquem entre si? Embora não possam ser conceituadas, podem ser sentidas e, segundo Schopenhauer, propagadas diretamente, sem palavras, através das artes. Por isso ele deu mais atenção às artes (principalmente à música) do que qualquer outro filósofo.

E o sexo? Ele não tinha dúvidas da importância do sexo no comportamento. Nesse ponto, também, Schopenhauer foi um ousado pioneiro, pois nenhum filósofo antes teve a idéia (ou a coragem) de escrever sobre a importância fundamental do sexo para nossa vida interior.

E a religião? Schopenhauer foi o primeiro grande filósofo a construir seu pensamento com base no ateísmo. Ele negava o sobrenatural com clareza e veemência, afirmando que vivemos apenas no tempo e no espaço e que todo imaterial é falso e inútil. Filósofos como Hobbes, Hume e até Kant demonstraram tendências agnósticas, mas não ousaram afirmar sua descrença. No mínimo, porque viviam do salário das empresas públicas e universidades aonde trabalhavam e, portanto, eram proibidos de expressar qualquer sentimento anti-religioso. Schopenhauer jamais precisou ser empregado de nada nem ninguém, tendo assim liberdade para escrever o que quisesse. Exatamente pelo mesmo motivo, um século e meio depois, Spinoza recusou convites para assumir altos cargos em universidades, continuando a trabalhar como polidor de lentes.

Qual a conclusão de Schopenhauer sobre o conhecimento do corpo? Foi que nós e toda a natureza temos uma força prima incansável, insaciável que ele chamou à vontade. Escreveu: 'Para todo lugar que olhamos, vemos um esforço que representa o cerne de tudo. E em que consiste o sofrimento? É a luta para vencer o obstáculo que fica entre a vontade e a meta. O que é a felicidade? É atingir a meta.'
Nós queremos, queremos e queremos. Para cada desejo consciente há dez aguardando no inconsciente. A vontade não cessa de nos dirigir, pois assim que um desejo é alcançado, há outro e mais outro pela vida afora.

Às vezes, Schopenhauer lembra os mitos gregos de Ixião na roda, ou o de Tântalo, para explicar o dilema da existência humana. Ixião foi o rei que traiu Júpiter, sendo por isso condenado a ficar preso para sempre numa roda de fogo que girava no ar. Tântalo ousou desafiar Júpiter e, por seu orgulho, foi obrigado a sofrer tentações, mas jamais se satisfazer. Schopenhauer acreditava que a vida é uma roda de carência seguida de saciedade. Ficamos satisfeitos quando saciados? Por pouco tempo. Quase em seguida somos invadidos pelo tédio e obrigados a agir para escapar do horror do tédio.
(...)
Por que o tédio é ruim? Por que lutamos para afastá-lo? Porque é um estado do qual não conseguimos nos livrar e que vem logo mostrar verdades subjacentes e desagradáveis sobre a vida: a nossa insignificância, a falta de sentido da vida, nossa inexorável caminhada rumo à velhice e à morte.
Portanto, o que é a vida senão um ciclo infinito de querer, satisfazer, entediar-se e depois querer de novo? Essa sequencia vale para todas as formas de vida? É pior para os humanos, diz Schopenhauer, pois à medida que a inteligência aumenta, cresce também a intensidade do sofrimento.

Existe alguém feliz? É possível ser feliz algum dia? Schopenhauer acredita que não.
Em primeiro lugar, o homem nunca é feliz, porém passa a vida lutando por algo, pensando que vai fazê-lo feliz, não consegue, e, quando consegue, se desaponta: é um náufrago e chega ao porto sem mastros nem cordâmes. Portanto, não se trata de ser feliz ou infeliz, pois a vida não é senão o momento presente, que está sempre sumindo e, finalmente, se acaba.

A vida, que consiste numa descida trágica e inevitável, não só é brutal, mas inteiramente excêntrica.
Somos como cordeiros brincando no campo, enquanto o açougueiro nos olha e escolhe um, depois outro, pois quando jovens não sabemos que desgraça nos reserva o destino. Doença, perseguição, empobrecimento, mutilação, perda da visão, loucura e morte.

Será que as conclusões pessimistas de Schopenhauer sobre a condição humana são tão insuportáveis que ele acabou mergulhando na depressão? Ou foi o contrário: era tão infeliz que acabou concluindo que a vida é um fato triste que nem deveria ter ocorrido? Ciente desse enigma, ele nos lembrou (e a si mesmo) que a emoção tem o poder de toldar e falsificar o conhecimento: o mundo assume um aspecto sorridente quando temos motivo para nos alegrar e um ar sombrio quando pesa sobre nós a tristeza."

"As pessoas têm medo dos doentes, pois não querem encarar a morte que existe dentro de cada um de nós, não é? - perguntou Philip."

"Alguns não conseguem se libertar dos seus próprios grilhões, mas conseguem libertar os amigos. -Nietzsche"

"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossa própria loucura, fracasso e vício. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos e assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento."

terça-feira, 24 de julho de 2007

GP02

Aos poucos as coisas vão aparecendo.
Posso criar um símbolo hoje, e dar significado para ele amanhã. Qual o mal nisso?
Misturar Freud e Hakim Bey é interessante. Poderia ter jogado um pouco de Jung aqui, pra misturar ainda mais as coisas. Mas elas já estão misturadas o bastante.
Estou escrevendo esta introdução depois de ter transcrito os trechos abaixo. Não sei muito bem o que dizer, pois os trechos falam por si só.
As interpretações são livres, e são muitas.
Uma questão que surgiu nas minhas mentes: "O agrupamento arquetípico alcança melhores resultados se formado a partir das leis Gestalticas?"
Aí eu respondo para mim mesmo: "Depende dos resultados que se quer alcançar com o grupo".
É uma coisa a se pesquisar.



"Cada indivíduo partilha de numerosas mentes grupais - as de sua raça, classe, credo, nacionalidade, etc. - podendo também elevar-se sobre elas, na medida em que possui um fragmento de independência e originalidade. Essas formações grupais estáveis e duradouras, com seus efeitos constantes e uniformes, são menos notáveis para um observador que os grupos rapidamente formados e transitórios a partir dos quais Le Bon traçou seu brilhante esboço psicológico do caráter da mente grupal. E é exatamente nesses ruidosos grupos efêmeros, superpostos uns aos outros, por assim dizer, que encontramos o prodígio do desaparecimento completo, embora apenas temporário, exatamente daquilo que identificamos como aquisições individuais.
Interpretamos esse prodígio com a significação de que o indivíduo abandona seu ideal do ego e o substitui pelo ideal do grupo, tal como é corporificado no líder. E temos de acrescentar, a título de correção, que o prodígio não é igualmente grande em todos os casos. Em muitos indivíduos, a separação entre o ego e o ideal do ego não se acha muito avançada e os dois ainda coincidem facilmente; o ego amiúde preservou sua primitiva autocomplacência narcisista. A seleção do líder é muitíssimo facilitada por essa circunstância. Com frequência precisa apenas possuir as qualidades típicas dos indivíduos interessados sob a forma pura, clara e particularmente acentuada, necessitando somente fornecer uma impressão de maior força e de mais liberdade de libido. Nesse caso, a necessidade de um chefe forte frequentemente o encontrará a meio caminho, e o investirá de uma predominância que de outro modo talvez não pudesse reivindicar. Os outros membros do grupo, cujo ideal do ego, salvo isso, não haveria se corporificado em sua pessoa sem alguma correção, são então arrastados com os demais por 'sugestão', isto é, por meio da identificação".
Psicologia das Massas e a Análise do Eu - Sigmund Freud




"Como é que o mundo "virado-de-cabeça-para-baixo" sempre acaba se endireitando? Por quê, como estações no inferno, após a revolução sempre vem uma reação?
Levante e Insurreição são palavras usadas pelos historiadores para caracterizar revoluções que fracassaram - movimentos que não chegaram a terminar seu ciclo, a trajetória padrão: revolução, reação, traição, a fundação de um Estado mais forte e ainda mais opressivo -, a volta completa, o Eterno Retorno da história, uma e outra vez mais, até o ápice: botas marchando eternamente sobre o rosto da humanidade.
Ao falhar em completar esta trajetória, o levante sugere a possibilidade de um movimento fora e além da espiral hegeliana do "progresso", que secretamente não passa de um ciclo vicioso. Surgo: levante, revolta. Insurgo: rebelar-se, levantar-se. Uma ação de independência. Um adeus a essa miserável paródia da roda kármica, histórica futilidade revolucionária. O slogan "Revolução!" transformou-se de sinal de alerta em toxina, uma maligna e pseudo-gnóstica armadilha-do-destino, um pesadelo no qual, não importa o quanto lutamos, nunca nos livramos do maligno ciclo infinito que incuba o Estado, um Estado após o outro, cada "paraíso" governado por um anjo ainda mais cruel.
(...)
A História diz que uma Revolução conquista "permanência", ou pelo menos alguma duração, enquanto o levante é "temporário". Nesse sentido, um levante é uma 'experiência de pico' se comparada ao padrão 'normal' de consciência e experiência. Como os festivais, os levantes não podem acontecer todos os dias - ou não seriam 'extraordinários'. Mas tais momentos de intensidade moldam e dão sentido a toda uma vida. O xamã retorna - uma pessoa não pode ficar no telhado para sempre - mas algo mudou, trocas e integrações ocorreram - foi feita uma diferença.
Poderia se dizer que essa é uma postura de desespero. O que foi feito do sonho anarquista, do fim do Estado, da comuna, da zona autônoma com duração, da sociedade livre, da cultura livre? Devemos abandonar esta esperança em troca de um acte gratuit existencialista? A idéia não é mudar a consciência, mas mudar o mundo.
(...)
Em resumo, não queremos dizer que a TAZ é um fim em si mesmo, substituindo todas as outras formas de organização, táticas e objetivos. Nós a recomendamos porque ela pode fornecer a qualidade do enlevamento associado ao levante sem necessariamente levar à violência e ao martírio. A TAZ é uma espécie de rebelião que não confronta o Estado diretamente, uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra, de tempo, de imaginação) e se dissolve para se re-fazer em outro lugar e outro momento, antes que o Estado possa esmagá-la.
(...)
Em suma, uma postura realista exige não apenas que desistamos de esperar pela 'Revolução', mas também que desistamos de desejá-la.
'Levantes', sim - sempre que possível, até mesmo com o risco de violência. Os espasmos do Estado Simulado serão 'espetaculares', mas na maioria dos casos a tática mais radical será a recusa de participar da violência espetacular, retirar-se da área de simulação, desaparecer.
(...)
A TAZ é um acampamento de guerrilheiros ontologistas: ataque e fuja. Continue movendo a tribo inteira, mesmo que ela seja apenas dados na web. A TAZ deve ser capaz de se defender; mas, se possível, tanto o 'ataque' quanto a 'defesa' devem evadir a violência do Estado, que já não é uma violência com sentido. O ataque é feito às estruturas de controle, essencialmente às idéias. As táticas de defesa são a 'invisibilidade', que é uma arte marcial, e a 'invulnerabilidade', uma arte 'oculta' dentro das artes marciais. A 'máquina de guerra nômade' conquista sem ser notada e se move antes do mapa ser retificado. Quanto ao futuro, apenas o autônomo pode planejar a autonomia, organizar-se para ela, criá-la. E uma ação conduzida por esforço próprio. O primeiro passo se assemelha a um satori - a constatação de que a TAZ começa com um simples ato de percepção.
(...)

Em primeiro lugar, podemos falar de uma antropologia natural da TAZ. A família nuclear é a unidade base da sociedade de consenso, mas não da TAZ ('Famílias! Os avaros do amor! Como eu as odeio!' - Gide) A família nuclear, com suas consequentes 'dores edipianas', parece ter sido uma invenção neolítica, uma resposta à 'revolução agrícola' com sua escassez e hierarquia impostas. O modelo paleolítico é mais primário e mais radical: o bando. O típico bando nômade ou semi-nômade de caçadores/coletores é formado por cerca de cinquenta pessoas. Em sociedades tribais mais populosas, a estrutura de bando é mantida por clãs dentro da tribo, ou por confrarias como sociedades secretas ou iniciáticas, sociedades de caça ou de guerra, associações do gênero, as 'repúblicas de crianças' e por aí adiante. Se a família nuclear é gerada pela escassez (e resulta em avareza), o bando é gerado pela abundância (e produz prodigalidade). A família é fechada, geneticamente, pela posse masculina sobre as mulheres e crianças, pela totalidade hierárquica da sociedade agrícola/industrial. Por outro lado, o bando é aberto - não para todos, é claro, mas para um grupo que divide afinidades, os iniciados que juram sobre um laço de amor. O bando não pertence a uma hierarquia maior, ele é parte de um padrão horizontalizado de costumes, parentescos, contratos e alianças, afinidades espirituais, etc.
Muitas forças estão trabalhando - de forma invisível - para dissolver a família nuclear e resgatar o bando em nossa própria sociedade da Simulação pós-Espetacular. Rupturas na estrutura do trabalho refletem a 'estabilidade' estilhaçada da unidade-lar e da unidade-família. Hoje em dia, o 'bando' de alguém inclui amigos, ex-esposos e amantes, pessoas conhecidas em diferentes empregos e encontros, grupos de afinidade, redes de pessoas com interesses específicos, listas de discussão, etc. Cada vez mais fica evidente que a família nuclear se torna uma armadilha, um ralo cultural, uma secreta implosão neurótica de átomos rompidos. E a contra-estratégia óbvia emerge de forma espontânea na quase inconsciente redescoberta da possibilidade - mais arcaica e, no entanto, mais pós-industrial - do bando.
(...)"
TAZ - Hakim Bey